Jantar No Escuro: Olhos vendados para um novo experimento!

Ontem estive em uma das experiências mais icônicas nestes meus sete anos de jornalismo gastronômico. Foi uma daquelas noites que dificilmente eu irei  esquecer.

Recomendo a todos esta experiência. A comida ficará em segundo plano, seus olhos ficarão vendados por algumas horas, e não haverá preocupação com isso, explorar seus outros sentidos lhe dará uma nova percepção e sua relação com a comida certamente sofrerá alterações.

Desde 2008, o Ateliê no Escuro oferece aos comensais diferentes estímulos como aromas, texturas, sabores, sons e outras sutis vivências que sua alma provará a todo momento.

Suas idealizadoras são terapeutas que buscam ao longo dos anos desenvolver eventos que tenham este potencial, de nos tocar de alguma forma transformando aquele momento em algo encantador.

Quando cheguei ao local, me deparei com um espaço aconchegante, charmoso e com muito verde. Enquanto esperávamos os últimos convidados fomos agraciados com uma caponatta feita com casca de banana verde no pão integral e um welcome drink.

A ansiedade paira no ar, todos que estavam naquele salão pareciam ávidos pelo desconhecido jantar. Chegado o momento fomos vendados e conduzidos às nossas mesas. Os primeiros sons estão vindo das mãos de dois músicos que conduzem todo um repertório que estimulará cada etapa deste jantar, além de outros sons naturais, como da água ou do vinho sendo derramados nas taças. Até que uma mão suave surgiu nas minhas costas, uma interferência acolhedora, um relaxamento necessário neste início de experiência.

A pegada aqui é slow food total, a forma como você será alimentado neste ateliê possui uma profunda influência do que estará rolando ao seu redor. Primeiramente você comerá com as mãos e isso lhe trará uma forte conexão com seu prato e um prazer em descobrir cada ingrediente, sabor e textura. Todo o jantar criado pela chef da noite, Cláudia Mattos, foi feito com produtos artesanais de qualidade especial e produzidos de forma que respeite o meio ambiente. O jantar intitulado “Receitas de mudanças climáticas” estava cheio de intervenções sensoriais, e eu esperava por elas o tempo todo, e só posso dizer cada uma mais lúdica do que a outra. Esta parte prefiro deixar meus leitores no mistério, garanto vai ser mais excitante quando se deixarem levar por este Jantar.

Como eu saí de lá? Em estado de graça…por duas horas não senti a falta de minha visão, porque amei o protagonismo dos meus outros sentidos. Que proposta delicada e cheio de cuidados.

Obrigada Ateliê no Escuro por este jantar imperdível. Quero voltar com toda certeza do mundo!

Quer saber como participar? Clica Aqui

Crédito Imagens: Rodrigo Schmidt