Parintins e sua fascinante rivalidade centenária.

Já faz 10 dias que eu voltei de Parintins e ainda continuo em “Estado de Graça” por todas as emoções que vivenciei em três dias, uma das festas folclóricas mais importantes do nosso país. Por anos eu assisti de longe esta ópera amazônica com uma curiosidade florida em meus pensamentos e mal podia imaginar que o universo tão sábio colocaria em meu destino uma das experiências mais incríveis da nossa cultura.

Tudo deve ser vivenciado com ternura e curiosidade, a cidade é muito acolhedora e logo nos primeiros minutos você vai perceber que as duas cores dividem a ilha. O ponto mais importante do festival sem dúvida alguma é a disputa entre dois bois folclóricos, o Boi Caprichoso, de cor azul, e o Boi Garantido, de cor vermelha. Durante as três noites de festa os dois currais exploram as temáticas regionais através de encenações que irão deixar qualquer um boquiaberto, e já te adianto: o duelo é acirrado!

A rivalidade iniciou-se oficialmente em 1965, e desde então o belíssimo evento se repete todo mês de junho, mas na real o borogodó entre os dois “bois” já rola há muito mais tempo. Dizem por aqui que a treta tem 100 anos! Com fantasias e músicas, os bois já encenavam a lenda de Catirina, uma roceira grávida e com desejo de comer língua de boi. Para satisfazê-la, seu marido, Negro Francisco, sacrificou o boi predileto do patrão, que ameaça matá-lo. Quem salva tudo é um Pajé, que ressuscita o bicho e garante um final feliz.

Caprichoso

O primeiro boi a representar essa história foi o Garantido, fundado em 1913. Nove anos depois, em 1922, apareceu o boi Charmoso, renomeado como Caprichoso em 1925. O Garantido é conhecido como “boi do povo”, por ser bem popular e manter o ritmo tradicional das músicas típicas. O Caprichoso é o “boi elitista”, e tem canções mais aceleradas e modernas.

No início, a disputa era informal e rolava no centro da cidade. A coisa virou uma superprodução comparável aos desfiles das escolas de samba, e em 1988 passou a acontecer no “bumbódromo” – um tipo de estádio com o formato de uma cabeça de boi estilizada. Nas três noites de disputa, o espetáculo chega a atrair 100 mil pessoas.

Garantido

Algumas curiosidades devem ser ditas antes de se jogar nesta ilha mágica.

A torcida de cada boi ocupa metade do bumbódromo e participa ativamente do desfile. Quando seu boi está na arena, vale caprichar na coreografia e na animação para garantir pontos no desfile. Quando é a vez do boi contrário, silêncio total. Se um adversário vaiar, seu boi perde ponto.

Cerca de 3 500 integrantes de cada boi desfilam por noite, divididos em 30 “tribos”, o equivalente às alas de uma escola de samba. Os destaques são a porta-estandarte, que leva o símbolo do boi, e a cunhã-poranga, que representa a índia mais bonita da tribo. Toda noite é um espetáculo diferente!

Cada boi desfila por três noites, em apresentações de duas horas e meia a cada dia, e mudam as alegorias e as alas. As coreografias de cada boi são ensaiadas durante seis meses nos chamados “currais”, o equivalente às quadras das escolas de samba

Cada boi tem um apresentador ou “mestre-de-cerimônias”, que narra com um microfone cada passo do enredo desenvolvido com as alas e alegorias. Neste ano, o boi Caprichoso trouxe um apresentador de 17 anos, que é irmão do mestre-de-cerimônias do Garantido.

O boi vencedor de cada ano é decidido por um grupo de nove jurados, em geral especialistas em antropologia e folclore. Eles avaliam 21 itens, como desempenho do apresentador, ritmo das baterias, evolução do boi-bumbá e a beleza das alegorias.

Em Parintins, cada boi canta de 15 a 22 canções típicas curtas e de melodia simples sobre a lenda do boi-bumbá. Para acompanhar a letra, cada boi conta com uma bateria de 400 a 600 músicos.

E uma última intervenção amiga, não se atrase, cada segundo desta festa mágica e sagrada e assim que ela se iniciar você ficará deliciosamente paralisado pelas próximas seis horas. Se eu penso em ir de novo? Sim, mas na vida entendemos que certas coisas podem acontecer somente uma vez e se for este o caso, eu serei eternamente agradecida pelo fascínio desta rivalidade centenária. Só tenho flores para os bois bumbás. Se você tem vontade de ir, faça uma gentileza à sua alma, não adie mais!

Até 2019 Parintins, se Deus quiser!

 

Agradecimentos Especiais: Amazonastur, Kellen Felix e Kecya Felix.

 

Festival Brasileirinho na Mercearia do Conde. Imperdivel!

São Paulo-Salvador. Até 15 de julho essa conexão, que se mistura à própria história da Mercearia do Conde, estará tomando conta da colorida casa de esquina da Joaquim Antunes, no Jardim Paulistano. O restaurante já está promovendo desde o inicio deste mês, no almoço e no jantar, o Festival Brasileirinho, com menu de cinco pratos que são ícones da gastronomia brasileira e com direito a um shot de Caipirinha de Erva Cidreira.

As receitas foram criadas a quatro mãos pela chef e restauratrice Maddalena Stasi, sócia-fundadora da Mercearia do Conde, e Caloca Fernandes, que é pesquisador de cozinha patrimonial, jornalista, e tio de Maddalena. Ela, soteropolitana radicada em São Paulo e à frente de um restaurante com 26 anos, trajetória que se mistura à própria história da cidade, e ele, paulistano atualmente vivendo em Trancoso, Sul da Bahia, autor de inúmeras obras que recuperam receitas da culinária nacional e fazem uma verdadeira viagem gastronômica pelo país.

São os cinco pratos: Farnel dos Bandeirantes (feito com farinha de milho, guisado de frango, linguiça, pupunha, tomate e ovos caipiras cozidos, servido numa panelinha amarrada com um tecido, como no tempo dos bandeirantes, R$ 74); Virado Paulista (virado de feijão com costelinha de porco confit, ovo caipira estrelado, arroz, couve salteada e croquetes de banana, R$ 74), Vatapá (preparado com bacalhau, pão, azeite de dendê, gengibre, castanha de caju, R$ 74), Bobó de Camarão (creme à base de mandioca, leite de coco, azeite de dendê e camarões, R$ 79) e Moqueca de Banana-da-Terra (versão vegana do tradicional prato baiano preparado com  banana-da-terra, leite de coco e azeite de dendê, R$ 65). Os pratos baianos do festival – bobó, vatapá e moqueca – vêm acompanhados de arroz branco com castanha de caju, saladinha de couve e o molho de pimenta da casa.

Para harmonizar, a dica da casa é a nova carta de caipirinhas com ingredientes nacionais, elaborada pelo barman da casa, Ray Sousa. O menu traz opções aromáticas e refrescantes como: Caipitanga Refrescante (pitanga, cachaça orgânica, hortelã e gelo de garapa), Caipirinha do Sítio (cachaça, caju com mexerica) e a Caipira do Engenho (cachaça, limões cravo, siciliano e Taiti com mel de engenho). Todas a R$ 29 e preparadas com a cachaça orgânica Yaguara.

Ainda dá tempo de provar uma destas delicias, corre lá!

Serviço:

Mercearia do Conde
www.merceariadoconde.com.br
Rua Joaquim Antunes, 217 – Jardim Paulistano  – São Paulo – SP
Tel. 11 3081-7204

Chef Gisela Schmitt inaugura o Gastromar, em Paraty!

Uma bela novidade para quem está pensando em visitar Paraty, cidade que a gente ama e sempre encontra um motivo para visita-la! Após quatro anos de sucesso no mar com a Gastromar, a empresária e chef Gisela Schmitt deparou-se com a oportunidade de oferecer também em terra a sua cozinha de grife, em um charmoso espaço dentro da Marina Porto Imperial

A nova proposta reúne alta gastronomia, drinques e um empório com produtos exclusivos e artesanais. E, aos sábados, pocket shows de jazz com atrações para os apreciadores da boa música.

Gisela é quem assina o cardápio e comanda a operação. A vista do restaurante encanta, assim como o requinte do menu e a carta de drinques com receitas inovadoras. As criações etílicas seguem a proposta surpreendente da gastronomia da casa. Um dos destaques do local é o cardápio com sugestões à base de gim preparadas com ingredientes sazonais e técnicas artesanais de infusão.

A delicadeza de Gisela também foi parar no carrinho Gastromar, um charmoso ponto de vendas de queijos, vinhos e antepastos gourmets, que proporciona uma experiência gastronômica diferente para os visitantes da cidade. O serviço é ideal para quem prefere caminhar pelo Centro Histórico de Paraty levando sua taça e petiscos em mãos, enquanto aprecia toda a história da cidade.

Mas se o seu desejo é ter uma super experiência em alto mar, a chef oferece o passeio no “Sem Pressa”.  É um barco tipicamente caiçara que foi adaptado para pessoas que gostam de reunir os amigos e viver momentos especiais ao redor de uma cozinha montada especialmente para isso. Com capacidade para até 18 pessoas, o projeto é pioneiro no Brasil. A gastronomia náutica servido no passeio, são frescas e de produtores locais, respeitando a sazonalidade dos ingredientes.  A programação oferece estrutura completa (chef, cozinha gourmet, deck superior, ducha, lavabo e pranchas de stand up paddle). Se esta idéia faz a sua cabeça, clique aqui e saiba mais sobre esta experiência única!!

Serviço
Gastromar Restaurante
Rodovia Rio Santos s/n – Km 578,
Bairro Boa Vista, 23970-000
Funcionamento: quinta a domingo
Horário 13h às 23h
Capacidade restaurante 50 lugares

 

 

Desbravando o atrativo Grand Mercure Eixo Monumental.

Recentemente fui dar um giro na Capital do nosso país, Brasília. E quem acha que não vale o rolê está enganando, esta cidade plana, quente e com ares interioranos oferece aos seus visitantes muito mais do que as belezas icônicas de Oscar Niemeyer estampado em cada prédio do planalto central. Pode apostar!

Enquanto estive ali fui recebida pelo Grand Mercure Eixo Monumental. Um dos motivos para se hospedar neste imponente prédio disparadamente é a sua localização, que está situado em frente ao centro comercial Brasília, perto do Estádio Mané Garrincha e de hotéis como Windsor Brasília e Athos Bulcão, a 1 km do centro de convenções Ulysses Guimarães e do parque da cidade. Ou seja, dá para fazer muita coisa por ali na caminhada, se for este seu desejo.

O restaurante do hotel, Capim Dourado, foi recentemente remodelado, seu espaço oferece confortáveis mesas que mantém boa distância entre elas, dando um ar mais intimista durante suas refeições. O menu oferece boas opções vegetarianas para quem não quiser fugir do ritmo da dieta, mas você também encontrará pratos atraentes e sem frescura. Vale também dizer que o café da manhã não irá desapontar os grandes entusiasmados pela refeição matutina: tapioca e omeletes incrementados podem ser pedidos diretamente ao cozinheiro.

Quartos aconchegantes e espaçosos são outros atrativos.  São quatro categorias: quartos Standard e Superior e Suites Executive e Luxury (com 2 quartos), equipados com WIFI grátis, com decoração clássica e alcatifa, cama king Size e todas comodidades básicas que se espera de um hotel 4 Estrelas. O banheiro ganha ares de brasilidade com seus produtos L’ocittane exclusivos e feitos para refrescar o seu dia.

Se tiver um tempinho a área de lazer, a piscina e o centro de fitness situam-se no piso superior, e possui vista panorâmica da cidade, vale dá uma subidinha por lá para contemplar o pôr do sol.

O Grand Mercure oferece bem-estar e conforto que sua viagem precisa, principalmente se o motivo for de cunho político, imagine depois de um dia de stress, você ter um ninho para voltar?!

 

Grand Mercure Eixo Monumental
EndereçoSHN Quadra 5 Bloco G – Asa Norte, Brasília – DF, 70705-913
Telefone(61) 3424-2000
http://www.accorhotels.com/ 

Diárias a partir de R$350

Des Cucina: Um refúgio gastronômico no bairro da Pompéia.

E recentemente fomos conhecer o restaurante Des Cucina, que nasceu há dois anos atrás em uma rua charmosa no bairro da Pompéia, em São Paulo. Lugarzinho pequeno e muito charmoso, de luzes baixas que dão descanso aos olhos enquanto escolhemos alguma coisa em seu complexo cardápio criado pelo chef Sergio França, que oferece o que ele chama de culinária italiana contemporânea. As massas são feitas na casa, os ingredientes são de primeira e tudo por aqui é rico em detalhes, desde a sua decoração até a louça que foi pensada para que cada prato seja valorizado.

Iniciei minha noite com o Atum gordo com muçarela de búfala (R$46,00) e caviar marinho. Você, assim como, eu pode pensar “Putz, peixe com queijo é compatível? ”, e vou dizer a vocês, para meu paladar eles se integraram de um jeito leve, fresco e que fará você querer repetir a experiência O caviar marinho deu um sabor salgadinho que se sobrepôs ao dos outros ingredientes dando equilíbrio à receita. Gostei!

Já o Carpaccio de vitelo com molho de atum (R$38,00) deu ruim… Embora exista este prato na Itália, conhecido como Vitello Tonnato (Vitela atunzada), eu não consegui dominar no meu paladar esta combinação. A sensação do molho de atum nas camadas finas de vitela (que por sinal estava bem boa), era como se eu estivesse colocando catchup em filé de primeira, um esdrúxulo comparativo que se encaixa aqui perfeitamente bem. Eu dispensaria esta entrada e a substituiria pelo camarão grelhado ao leito de abobrinha italiana e espuma de champanhe.

O menu tem um espaço dedicado aos risotos, e quem me conhece sabe que é uma das especialidades italianas que mais amo nesta existência. Pedi o com Polvo, aspargo, e ao molho de vinho tinto (R$85,00), e sem arrependimentos! Cremosidade, intensidade nos sabores e sinergia de texturas eram sentidas a cada garfada e o aroma que ficou após eu experimentar este prato foi uma dádiva dos deuses. Os fãs deste molusco devem provar de olhos fechados!

De sobremesa provei o Semifreddo de mascarpone e farofa de pistache crocante (R$27,00), vamos combinar tudo que leva este queijo é certeza de céu aberto, né? Seu sabor doce e sua textura cremosa é um bálsamo para o meu palato, e a combinação com a crocância do pistache só enalteceu o seu sabor. Um doce que não é sorvete, mas é gelado e aveludado.

Lugarzinho charmoso, serviço gentil, boas opções no cardápio e ótima coquetelaria. Não é o caso de atravessar a cidade para ir visitá-lo, mas se estiver por ali por perto quando a fome bater, o Des Cucina certamente será uma opção atrativa.

SERVIÇO:
Endereço: Rua Desembargador do Vale, 233 Perdizes – São Paulo – SP

Telefones: (11) 3872-0050 / 3868-2654
Horário de funcionamento:
Terça a Quinta das 12:00 às 15:00 e das 19:00 às 00:00
Sexta e Sábado das 12:00 às 17:00 e das 19:00 às 00:30
Domingo das 12:00 às 17:00
Feriados das 12:00 às 17:00 e das 19:00 às 00:30

Credito Imagens: Roberto Salgado